O artista gráfico dinamarquês Kurt Westergaard, autor de uma caricatura do profeta Maomé que gerou distúrbios violentos em vários países muçulmanos, morreu aos 86 anos na Dinamarca, revelou sua família ontem. O ilustrador assinou o desenho mais famoso de uma série de 12 caricaturas de Maomé, publicadas por um jornal dinamarquês em 30 de setembro de 2005, na qual o profeta do Islã aparece com um turbante em forma de bomba. Em janeiro de 2015, dois homens atacaram a redação do jornal Charlie Hebdo, em Paris, que havia reproduzido a charge.

Para a maioria dos muçulmanos, as representações do fundador do Islã são proibidas. No início, as caricaturas da série “The face of Mahomet” (“O rosto de Maomé”, em tradução livre), publicadas pelo jornal conservador dinamarquês Jyllands-Posten, passaram despercebidas. Porém, 15 dias depois da aparição dos desenhos, um primeiro protesto ocorreu em Copenhague e embaixadores de países muçulmanos na Dinamarca condenaram as charges.

A revolta cresceu nos meses seguintes. Em fevereiro de 2006, uma onda de violência contra a Dinamarca eclodiu no mundo muçulmano, provocando a mais grave crise de política externa enfrentada pelo país europeu desde a Segunda Guerra Mundial. No mesmo ano, em apoio aos dinamarqueses e em defesa da liberdade de imprensa, o jornal satírico francês Charlie Hebdo reproduziu as caricaturas originais.

O ápice dessa onda de violência aconteceu em janeiro de 2015, quando dois irmãos, Chérif et Said Kouachi, atacaram a redação de Charlie Hebdo, em Paris, matando 12 pessoas, entre eles cartunistas, colaboradores e um policial que estava na rua.

Vida sob proteção policial

Westergaard trabalhou no Jyllands-Posten desde meados da década de 1980 como ilustrador. De acordo com outro jornal dinamarquês, o Berlingske, o desenho em que Maomé aparece com um turbante em forma de bomba já havia sido impresso antes, sem causar muita controvérsia.

Durante os últimos anos de sua vida, Kurt Westergaard, assim como várias pessoas associadas às caricaturas de Maomé, tiveram que viver sob proteção policial em endereços mantidos sob sigilo. No início de 2010, a polícia dinamarquesa prendeu, na casa de Westergaard, um homem de 28 anos, de nacionalidade somáli, que planejava matar o ilustrador.

Em setembro do ano passado, por ocasião da abertura do julgamento histórico dos envolvidos na onda de atentados de 2015, em Paris, Charlie Hebdo publicou novamente a série de desenhos dinamarqueses em sua capa.

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