É das mais populares a expressão “copo meio cheio ou copo meio vazio”. O torcedor do Sampaio Correa pode usar qualquer um dos dois para analisar a campanha do clube na Série B. Pode-se ver um copo meio vazio: a “Bolívia querida” chegou a brigar pela liderança e, depois de uma sequência de oito jogos sem vencer (um empate e sete derrotas, um ponto conquistado em 24 possíveis), o time terminou em sexto lugar. Mas eu, que aqui estou analista e não torcedor, e garanto que com a companhia de 95% da massa maranhense vejo um copo quase cheio: com pouco investimento, devastado pela Covid-19 no início (lanterna nas primeiras cinco rodadas), o time de Léo Condé teve momentos brilhantes, foi capaz de sonhar com a elite e terminou à frente de gente ilustríssima como o Cruzeiro.

Tornar realidade o sonho do acesso andou bem perto. Quem não acompanhou de perto a campanha do Sampaio, pode tirar pela performance do time contra quem subiu. O time só não venceu a campeã Chapecoense. Mas ganhou uma do América-MG, ganhou outra do Juventude, e venceu duas vezes o Cuiabá. Na sequência fatídica de oito jogos sem vencer, se tivesse vencido uma e empatado mais um, estaria na Série A. Poderia, por exemplo, ter vencido o rebaixado Botafogo-SP e empatado com o Náutico. Não o fez, e foi severamente punido por isso. Fica a lição e a experiência para 2021, de que oscilações são esperadas, mas não uma desse tamanho.

Comentei a despedida do Sampaio na Série B, em casa, contra o lanterna Oeste. E foi absolutamente simbólico que tenha sido com uma vitória por 1 a 0, gol de Mazinho. O craque do time, o jogador diferente, aquele que foi um dos grandes responsáveis pela campanha honrosa. No primeiro tempo, os dois jogaram mais proximamente das respectivas características: Sampaio com toque, aproximação, jogo forte pelos lados – mas sem a intensidade que um jogo “à vera” exigiria, e com Mailson perdendo gol atrás de gol. E o Oeste jogando sem peso, com marcação forte e Wellinton comandando o meio-campo.

Mas no segundo, quando os times se lembraram que o jogo era amistoso, prevaleceu o Sampaio, que tem um time muito superior, especialmente com o Oeste sem Fábio e Pedrinho. E aos 15 minutos, Mazinho dominou um rebote, passou pelo goleiro e fez o último gol do Sampaio Correa na Série B.

A pior notícia surgiu após o jogo, com o anúncio de que Léo Condé optou legitimamente por ganhar mais visibilidade nacional no Campeonato Paulista e acertou com o Novorizontino. O Sampaio já tem jogo dia 14 contra o Bacabal pelo Maranhense. E Condé era identificado com o clube, com a torcida, conhecia bem o elenco e poderia comandar um eficiente processo de reestruturação do elenco. Agora tudo vai começar do zero e o clube tem duas semanas para chegar a um número aceitável.

Mas a próxima Série B ainda demora um bocadinho e o novo treinador terá tempo para trabalhar. Não precisa inventar muito. Condé apontou o caminho, poucos erros estão aí para ser corrigidos, e se isso for feito o Sampaio Correa tem tudo para tornar unânime a visão de um copo cheio até a tampa.

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